A cervejaria 2cabeças comemora neste sábado, dia 12, seu aniversário de sete anos no mercado cervejeiro.

Para celebrar a data, a 2cabeças realiza hoje uma festa em seu taproom, a Estação 2cabeças.

O evento comemora dois aniversários, o de sete anos da cervejaria e o do cervejeiro e criador da marcaBernardo Couto.

Sobre a 2cabeças

Cigana do Rio de Janeiro (RJ) e com produção no interior de São Paulo, a 2cabeças soma em sua história mais de 30 rótulo colaborativos.

Atualmente a cervejaria conta com cinco rótulos de linha,  é responsável pelo Festival Repense e possui um taproom em sua cidade sede.

Confira abaixo a entrevista completa com Bernardo Couto, que compartilha sua experiência e visão de mercado nestes sete anos de 2cabeças.

Bernardo Couto: cervejeiro e criador da 2cabeças

Bernardo Couto: cervejeiro e criador da 2cabeças

Entrevista

Como surgiu a 2cabeças? Pode contar sobre o início comercial de vocês?

Ela foi uma extensão das cervejas caseiras produzidas por mim. As primeiras receitas, Maracujipa e Hi5, foram feitas nas panelas, sem pretensões comerciais, até que no final de 2011 surgiu a oportunidade de terceirizar a produção em uma fábrica no Rio de Janeiro e tudo começou. O nome 2cabeças surgiu depois disso, e o primeiro rótulo que lançamos foi a Hi5, uma Black IPA.

Quantas pessoas estão na equipe da 2cabeças hoje?

Hoje nossa produção é na fábrica da nossa parceira, a Cervejaria Invicta. Então, a equipe específica da 2cabeças é bem pequena, pois toda a estrutura da Invicta também nos atende tanto na área de produção quanto atendimento aos distribuidores.

Fábrica da Invicta, em Ribeirão Preto (SP): parceira com 2cabeças

Fábrica da Invicta, em Ribeirão Preto (SP): parceira com 2cabeças

Atualmente a 2cabeças conta com quantos rótulos em seu portfólio, incluindo os sazonais e de linha?

Nossa linha fixa é composta por 5 rótulos: Hi5, Maracujipa, Fênix, Antes do Almoço e Papo Cabeça.

Fora isso, temos alguns rótulos sazonais que tem andado mais presentes, como a Ponta Cabeça e Torta Alemã. Se contar todas que já fizemos até hoje, aí são dezenas. Sempre fizemos muitas colaborativas. Destas parcerias já surgiram mais de 30 rótulos diferentes.

Quatro dos cinco rótulos de linha da 2cabeças

Quatro dos cinco rótulos de linha da 2cabeças

Quais conquistas mais marcaram a cervejaria nestes sete anos?

Acho que ter uma marca referência em criatividade e utilização de ingredientes nacionais é uma grande conquista. Não acreditamos em prêmio, concursos, essas coisas. Não participamos há anos.

Quais foram os maiores desafios como produtor cigano?

Encontrar parcerias sólidas e duradouras é difícil. A pior coisa para o cigano é ter que ser, de fato, cigano, ou seja, ficar mudando de fábrica. Fizemos isso diversas vezes, e é difícil ter um bom padrão assim.

No início, era difícil até que as cervejarias quisessem nos receber, precisava de um trabalho de convencimento grande. Hoje está muito mais fácil, fábricas são montadas para atender os ciganos. Porém, a relação com a cervejaria e o fluxo de caixa deste modelo continuam sendo problemáticos para quem entra.

Torta Alemã: Baltic Porter sazonal d 2cabeças foi produzida em colaboração com a Freigeist Bierkultur

Torta Alemã: Baltic Porter sazonal da 2cabeças foi produzida em colaboração com a Freigeist Bierkultur

Poderia falar um pouco sobre a produção cigana? Grande parte está na Invicta, em Ribeirão Preto (SP), certo?

Estamos fixos na Cervejaria Invicta desde 2015, com uma parceria muito sólida. É uma cervejaria com um padrão raro no mercado brasileiro, com equipamentos de ponta e muito cuidado com nossas cervejas.

Isso dá muito mais liberdade e tranquilidade para trabalhar, criar novas receitas e parcerias. A fábrica lá, hoje, tem capacidade para produzir 70 mil litros mês e não para de se equipar para atender às nossas demandas e também às deles. A produção de nossas cervejas faz parte do dia a dia da cervejaria.

Interior da fábrica da Invicta, em Ribeirão Preto (SP)

Interior da fábrica da Invicta, em Ribeirão Preto (SP)

Vocês são responsáveis pelo Festival Repense Cerveja. Pode comentar sobre a experiência de sediar um evento com cervejas colaborativas? A proposta do festival é também ser um ponto para lançamentos?

O Repense Cerveja é uma grande celebração da coletividade e criatividade cervejeira. Já se foram quatro edições de um evento que só cresce e solidifica com esse propósito bem marcado.

Não tem o foco em criar produtos com uma pegada mais comercial, mas sim chegando a alguns limites pouco buscados e com receitas mais ousadas.

Fazer diversas cervejas colaborativas ao mesmo tempo é algo complexo de administrar. Para se ter uma ideia, no último ano foram 13 novas cervejas sendo criadas.

Em 2019 chegaremos à quinta edição e estou estruturando um formato um pouco diferente neste sentido. Não veremos mais tantos rótulos sendo criados em parceria focados no evento.

Festival Repense Cerveja completou quatro anos em 2018

Festival Repense Cerveja completou quatro edições em 2018

Em 2017 vocês deram um passo que está cada vez mais forte no setor, a inauguração do próprio taproom. Pode falar sobre a experiência? Quais conselhos você daria para os ciganos que pensam neste mesmo passo?

Dizem que existem duas grandes alegrias quando você abre um bar: quando inaugura e quando fecha. É um outro negócio que demanda muito tempo, energia, dinheiro.

O conselho que posso dar é planejar bem, fazer as contas e ver se faz sentido. Ter a sua casa é obviamente muito importante para a marca e a Estação 2cabeças é um espaço ótimo para a gente se relacionar com o público, mostrar nossas cervejas, criar eventos, fazer cursos.

Como você enxerga o mercado de cervejas independentes? O que é preciso, em sua opinião, para o setor aumentar a participação de mercado?

Acho que se perguntar isso para 10 donos de microcervejarias ou de cervejarias ciganas, 11 vão responder assim: “é preciso rever o sistema de tributação”. Não tem como uma empresa pequena pagar infinitamente mais imposto do que uma grande em um produto semelhante.

Hoje, na prateleira, o produto chega muito caro e fica difícil crescer assim. A cervejaria acaba ficando com uma fatia muito pequena deste valor alto de venda, então ela está sempre prendendo a respiração para não se afogar. Se o preço fosse alto pois a margem é alta, é uma escolha da empresa.

Mas, em geral, se trabalha com margens apertadas e o valor ainda assim fica alto. A máxima comercial é “cerveja é volume”. Mas como ter volume sem preço? Enquanto isso não for resolvido não haverá muito aumento do setor.

Alguma novidade para 2019 em produção ou lançamento que possa nos adiantar?

Ainda nada decidido, mas tenho várias ideias na cabeça. Acho que vem muita coisa boa em 2019!